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Moyes revive o Everton com sonho europeu, mas precisa consertar a defesa em casa antes do derby histórico

18 de abril de 20263 min de leituravia Ana Beatriz Santos
Moyes revive o Everton com sonho europeu, mas precisa consertar a defesa em casa antes do derby histórico

O retorno de David Moyes ao Everton, mais de 11 anos após sua saída, foi recebido com ceticismo por muitos torcedores e analistas. Naquele momento, o clube azul de Liverpool enfrentava graves problemas financeiros, com uma punição por pontos sofrida há menos de 18 meses, e ocupava uma posição desesperadora, apenas um ponto acima da zona de rebaixamento. Hoje, porém, os Toffees disputam seu primeiro Merseyside Derby no novo estádio Hill Dickinson, transmitido ao vivo pela Sky Sports, com ambições renovadas e um novo lar como pano de fundo.

Qualquer menção a futebol europeu, muito menos à Liga dos Campeões, teria soado como piada quando o escocês pisou novamente em solo merseyside. Desde sua primeira passagem, o Everton havia se distanciado cada vez mais das vagas continentais. Ainda assim, reinstalar o técnico que levou o time à elite europeia há duas décadas parece ter sido o remédio perfeito. Não se pode ignorar seu título europeu com o West Ham, embora o contexto fosse diferente.

Uma vitória sobre o rival Liverpool no domingo colocaria o Everton a apenas dois pontos do quinto lugar, garantindo vaga na Champions. Desde a chegada de Moyes, os Toffees ocupam o sétimo lugar na Premier League, superando gigantes como Manchester United, Newcastle e Tottenham – clubes que já disputaram ou disputam a Champions e gastaram fortunas nas últimas janelas de transferências, superando os £100 milhões, enquanto o Everton operou com orçamento modesto.

Forma fora de casa: o segredo do sucesso de Moyes no Everton

A grande virada veio no desempenho como visitante, um calcanhar de Aquiles de Moyes desde sua saída do Manchester United em 2014. Desde o retorno, o Everton se tornou uma das melhores equipes fora de casa: apenas Arsenal e Manchester City somaram mais pontos na estrada, com média de 1,68 pontos por jogo (ppg) longe do lar.

Em passagens por Real Sociedad, Sunderland e West Ham, Moyes raramente superava 1 ppg fora. Agora, com gols escassos – Kiernan Dewsbury-Hall lidera com sete na temporada –, o foco é na solidez defensiva. Resultado? Empates e vitórias em arenas como Old Trafford, St. James' Park e Villa Park deixaram os adversários atônitos.

Desafios em casa: o ponto fraco antes da reta final europeia

No entanto, para o primeiro derby no Hill Dickinson, o problema está no desempenho doméstico. São apenas seis vitórias em casa na Premier League, deixando o Everton em 14º no ranking caseiro. Moyes já admitiu que times em novos estádios costumam sofrer com adaptação, e o ambiente mais aberto pode diluir o impacto da torcida, outrora intimidadora em Goodison Park.

Os números mostram uma abordagem diferente: fora, o time é mais direto, com 107 passes longos a mais e posse de 39,7%, contra 47,6% em casa. No ataque, eficiência similar – 21 gols em casa (xG 20,46) e 19 fora (xG 22,82). Mas com mais bola em casa, a defesa fica exposta: concedem um gol a mais, mas o xG contra é quase quatro pior, indicando sorte.

Jogando direto fora, evitam perdas perigosas e se recompõem melhor. Na reta final, o lema deve ser: trate cada partida como visitante, começando pelo clássico contra o Liverpool. Assim, Moyes pode realizar o impensável e trazer o futebol europeu de volta à metade azul de Merseyside.

Acompanhe Everton x Liverpool no Super Sunday, a partir das 13h, ao vivo no Sky Sports Main Event.

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